quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Não nomeado

Cinza nos ossos
ao império caído nada
e quem antes falava
a boca se calou
gente que faz
que não usa ideologias mortas
da própria terra
não ficaremos só aqui
o levante implacável
o verdadeiro que nota-se
quem ainda questiona?
fantasiados com suas culturas mortas apenas

domingo, 25 de novembro de 2012

Vitorino R.

Eu via o fim nos teus olhos
quando me apertava e dizia
impressionante o paterno
que num cuspi me fez
o principal aqui é o além
e quem apodreceu antes?
te vi sorrindo do outro lado
e eu fui o primeiro a jogar o punhado de terra
comemorei a queda e me orgulhei da minha sina
orgulho das tristezas por tempo demais
eu simplifico
te esqueço
num pensar mais forte que o tempo
das juras de papai

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Rio de Janeiro 20

E no olhos que são arrancados
a poderosa inexistência dos deuses quando se tenta
e os nós presos na garganta
desatando-os pouco a pouco num gole
e das poças da calçada
seja o útero e o túmulo
quando se pensar por satisfeito
apodrecido mais uma vez

Uma manhã cinza estupra
é tão estúpido esperar que o sol venha
os ossos ainda recém-nascidos
na garganta dela são amor

No peito que desabriga um passo falso
ouvindo e não notando quem cai em volta
quando a mão branca segura
aperta o melhor e estalo nos olhos de um bebê

Cidade grande derrubada com zelo
semi abortados que amanhecem sem nenhum sorriso
somos ela e eu tomando café e cultivando um ao outro
por que na garganta e em todo somos amor

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Despedida

Estupidamente cortados
postos em camadas na terra
virgem com os olhos fechados
ao abrir tudo mentira

É papai do céu que é apenas dito
por que se chora em silêncio
a morte seduz e nós recusamos
esperando a excitação e deitar

Pingo sangue involutariamente
desde o ínicio e até fim
abram a cabeça e joguem
a merda comercializada das massas

E às vezes não se recusa cair
À vezes e preciso esquecer
e no fim tenha amor.