segunda-feira, 27 de maio de 2013

Ressaca sob o sol

Torpe se torna
medido em horas
porre maria
cruzando as pernas
o sonho interno
jorrado da boca
do plástico preso
garganta seca
num passo esqueço
minha ida só
recosto o corpo
copo enloquecido
o porém sob sol
rio sozinho vendo formigas
graça maior é segurar
uma noite inteira sob o sol

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Copo menina

No meu copo menina
sem querer
te mexo de um lado
foge e me olha
é a carne que a boca quer
mas sonhos mais para noite só
contrastes de corpos enloquecidos
quando pedir que venha
te tomarei inteira pela boca
resisto de copo em pé
goteja os porres que quero dar
menina, ainda seguro um gole

segunda-feira, 20 de maio de 2013

O mineiro

O homem feito de verso
cheirando a queijo
que cabe no mínimo
se expande e ao longe sempre
O homem feito de verso
cheirando a queijo
que com um fruto seco em mãos
num gole para não ter depois

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Vulvas

Na maioria das vezes elas acabavam no meu copo, todas com suas cobranças e estampadas com "não dá mais". Eu enfiava os dedos e mexia de um lado a outro e cada gota que caía contra a mesa era uma lembrança, não eram boas por todo ou completamente inúteis, tinham algum peso que não era para minha cabeça carregar agora. Olhava as garrafas como pernas de antes, você saía delas chorando e uma mulher o pegaria no colo e você se sentiria protegido, em outras você forçava a entrada, gozaria e se desse tudo certo, estaria choramingando pelos pentelhos que não colocaria mais a boca. Muitos caras acabavam de baixo da ponte por causa disso, tinha lido e aprendido.
Mais uma garrafa sem saber o que poderia me decepcionar, isso dava gosto, dava prazer e eu com tudo isso? Continuei respirando.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Exalando cinza mais vez

Não há clichê em uma reta
Há o impacto da carne
Sob o tempo hipócrita
Toda e qualquer harmonia
Desata o nó que insiste
Prendido o ar cinza
como pássaros engaiolados
Mesmo sob o sol
Ossos frios são esquecidos
Humilhante sem porém
Quer tocar o céu
Vê dentro da garrafa
Resquícios que vão
Exale mais vez...

Por esses dias

Amaciar meus ossos
ao pó que exala
não querer por perto
tantas horas de um dia
bueiro nas pernas
momentânea vida
motor na caixa óssea
dando partida na lágrima
sufoca a primeira
deixe a segunda misturar
copo vazio em mãos
olhos mortos caindo
tínhamos tempo certo
foi querer ter perto
se foi para longe os nós