domingo, 20 de dezembro de 2015

Vésperas

Apunhalado deus é por mim
com a mão enferrujada
brindando a esperança quando tudo
é desespero

deleites nas manhãs 
sob as palavras do livro velho

É meu cinza que sobretudo alcança notoriedade mais
do que a puta virgem

Dei-me o mar para afogar as benfeitorias expostas

Dei-me mais a montanha com a corda em riste pronto para pular e poder ver o paraíso

oração é o primeiro gole
pecado é olhar a chance de acertar

Ponha-me em manjedouras de cada sarjeta

Rogue

Acabemos

Prego eterno

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Bloco de notas de fim de ano

Por mais que eu tente nunca será suficiente

Por menos que eu ignore será sempre um porre como um cano de espingarda engatilhado contra a própria cabeça

Sábado de manhã e chove em algum ponto da cidade numa cena dessas

Há quem tem fome e busque sacia-la

Há quem apenas proste-se sob os outros e quer arrancar seu suor no fim do dia

Café para recomeçar um dia em petrópolis

Cafés a vida toda

sábado, 31 de outubro de 2015

Uns dias

Há um poço no meu sonho
uma moeda no bolso da minha sorte
deslumbro os mortos sorrindo
e eu tomo meu caminho dentro do próximo ônibus

quando a montanha nos aborta antes mesmo de sermos reis
da nossa desgraça e miséria
e o velho de antes no banco da praça pigarreando futuro
tão você e não eu

juízes do pesadelo
da salvação que o terror interior não esconde
risquei um ponto no céu
pendurei você lá

domingo, 20 de setembro de 2015

Meu dia

Meu dia foi lindo como um dia de caridade num hospício

Um show com a barriga vazia vendo as crianças famintas de batom tomando lugar de cristo

Carimbado com a marca da besta eu sorri quando a lágrima que escorria era só mais uma inundação

A estética do sofrimento que se disfarça com um punhado de notas no quinto dia útil

Foi meu dia como manhãs orvalhadas do meu túmulo natal

Resistência queimada e água salgada sob a pele negra lembrando que foi escrava

O meu dia foi tão lindo quanto um dia de caridade num hospício

O chão que não é derrota enquanto os pés tateam livres outra moda

Outra derrota assistida em algum tubo na esquina

Brindo os arranhas céus que não chegam nem perto dos pássaros

Meu dia foi tão bonito como um dia de caridade num hospício

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Alverca

Seus seios crueis
que são minha luz
no fim do túnel
no quarto iluminado
onde latejo a imensidão branca
espero mais um minuto
num dia qualquer
vocifero contra quilômetros
e quando são meses já
eu ainda tenho um gole para te oferecer

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Maxilar 95

Tem seus vãos ainda que minha língua caçou
cheiro de menina que fogia do colégio
e se fazia de mulher à mim
Te fiz pilão para minhas ressacas semanais
antitérmico no teu útero entre a inundação do falo
Reli jornais velhos com porcelana nas minhas mãos não trêmulas
Gofei como recém nascido
apagando pontas de esperança em cada gole
E repetir a dose
não bastar somente a sorte
Opondo-se o sol
Ergueu a manhã

terça-feira, 23 de junho de 2015

Trono de Fátima

Não consigo sentir a chuva caindo do lado de fora

como o homem enforcado aos pés de Fátima sentiu

pastéis de carne com velas derretidas
na procissão que segui calado

Com amores perdidos aos finais de semanas atravessando cada gota com a lenha ao fogo

Recorrendo as poças d'água para limpar manhãs de futuro

e no presente o fracasso junto aos mestres

As tardes que perpetuavam os bolsos vazios com essas mãos aqui

Com o primeiro gole o cinza que desceu minha garganta

estampidos no banheiro
Outra corda na árvore
e nem deus sentiu a chuva caindo

terça-feira, 12 de maio de 2015

Duelo do solo

inócuo a cortaria
Pra te ver gotejar sangue fora do mês

raspando teus pelos
E negando teus apelos

Eu te colocaria algodões no céu da boca

pra ter certeza de que suas lágrimas seriam doces quando caissem

Eu te daria 7 palmos sem meu ego como adubo

Pra te ver florescer ao meio dia e lembrar do jarro que há dentro de mim

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Abismo nela

Como flor na tempestade
você ao cinza se contrapõe
a sagacidade dos teus olhos
de menina
faz deixar o nó para um outro dia refletido nas poças d'águas teus pés limpos
me pisam a alma cinza
ganha meu dia perdido
E eu te salvo em minuto de qualquer agonia
e quando o nevoeiro dessipar-se
amarre fitas vermelhas no cabelo

terça-feira, 21 de abril de 2015

Redenção

Quem agora carrega a cruz como o novo mártir sem saber o por quê?

Quando há fome e os joelhos não podem dobrar sob essa terra que não é sua

Por que quando chora a água doce das tempestades faz esquecer o sabor amargo das derrotas?

Levante as mãos com suas mínimas pretensões
porque vontade sem suor não existe

O paraíso prometido está no brilho inextinguível dos seus próprios olhos E erga o que não é fábula

domingo, 12 de abril de 2015

Degraus até Deus

Entorpecido me curvo na privada dessa vida que cabe numa gota mínima
no mar ausente da minha montanha
que inteiro cabe no meu rosto

Beijo aos mãos da minha mãe
ao meu pai o vício que nunca herdei
O ostento como minha bandeira de guerra

Demoro na partida negando sempre ser partido em dois
assistindo a reprise de mesmo teatro com lotação esgotada

teu solo para para teus joelhos
Teu céu para teu olhos
Me segure uma única vez

domingo, 15 de março de 2015

Ao acaso Virgínia

Acendi uma fagulha dentro de mim com teu lodo
com alvejante nos olhos eu pude ve-la
E era clara
primária que me ergueu
nas dobras da pernas rechonchudas
Sou graduado
se sou eu quem nego a estadia
partindo desesperado com xícaras de porcelana
um milhão de cabeças esperando a vez no teu útero
com as mãos brancas por você eu estou
Maldição do concreto que limita
milhas até cair mais uma vez
e nós estaríamos ainda mais longe

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

A santa na cruz

Lembro dos amigos que enterrei
das drogas nas pontas dos meus dedos
e de odiar enquanto amava

em manhãs de mãos dadas
e por fim
solitárias
ecoante era ela
de dentro do ônibus cinza
aquela buceta verde que não era só minha

Despedi-me dos amigos quando floreceram de baixo dos meus pés pretos
tomando o lugar de um cristo qualquer
tomei pra mim mais uma vez
o ar da erva entre as pontas dos meus dedos
e quando o ódio cessou e pudi amar

em noites solitárias de quase anulação
atando o nó até o paraíso
eu poderia almejar os degraus recostando meu corpo
o abraço que o fim nos dar

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Cabeça de Elefante

A mesmice de acariciar o peito

relembrar do que foi dito
do vômito escondido nos lençóis
do terço pendurado na cama 
que nunca teve um drama 



era o cheiro das pernas 
que prendia a corda com mais força
aquelas bocas monstruosas 
te jurando infinito
relendo os jornais espalhados em cada canto do quarto miúdo
despedidas como carrapatos arrancados do escroto 
havia um moleque franzino duelando com a altura do abacateiro

Ele pôs a corda lá

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015




                    Você nunca saberá o gosto que a névoa tem andando sozinho por petrópolis

Nunca saberá o por quê se insiste manter a cabeça mais erguida do que a coroa do rei

Cada gota que cai tem mais peso aqui