quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Samba à toa

Areia entre os dedos da menina
menina com cheiro de montanha
samba assim à toa sem plateia
dois batuques ritmados entre copos e garrafas

quem agora te olha longe
samba assim à toa e desdenha de mim
sai florida até o joelho
copo e garganta refrão do perdedor
samba assim à toa pisando no que ainda tenho no que não há

e  para guardar teu
sorriso de aço
no corpo magro
pungente sem ócio
miserável sem sol
derruba tua boca
e esquece ela outra vez comigo

Larga a terra sem rei
na imensidão do caos para ser beijada
samba assim à toa enquanto em desespero te apago 
vai na fumaça do escapamento sonhar
no catarro do velho na fila sentir falta dos dias de chuva
samba assim à toa nos meus dias de ressaca caído no chão

e para guardar teu sorriso de aço
um copo gelado de fim de dia
tome a cama como berço nos braços desse cristo
manhãs microscópias no bocejo contra o espelho
e samba assim à toa sobre mim

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Tarde de terça feira

Quisera o vazio da caixa
o barulho da poça d'água sendo
pisada
encarando o fim de tarde com a pá
em mãos
cavaria meu túmulo
mas um filhote de pássaro caído ao
chão é a sátira do dia
calo a boca com o vidro
há o corte de dentro para fora
imagino os cabelos dela balançando
freneticamente não mais sob mim
a pele enrugando-se e a beleza indo
pelo bueiro entupido do seu novo
amado
engatilhei
e o disparo não tinha encontro
comigo

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Cano gelado

Dia menos dia ainda
me excluo
daqui,
desativo o físico feito de
mídia,
de massa
sobre tudo nada
não quero palmas,
não quero
despedidas pelas costas
vou calar
enquanto mundo

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Tornando-se velho

Sob a noite quente
calado no quarto
colocaria meu desespero
na ponta suja dos teus pés descalços
desafio o fim como a chuva vence o
chão
me afogo nas horas
somente só
eu