domingo, 30 de dezembro de 2012

Ano Novo


Quase fim
inicia-se mais uma vez
não há derrotas
se ainda respira
são muitos brindando
e esquivo não bato palmas
desatando nós
no entrelaço dos dedos

nessa hipocrisia de mãos e falas
salva-se o calar e o aperto
piso no chão que me abriga
sem que ninguém me olhe

mesmo roto ainda mantenho o gosto
desiludindo o que parece
não que caiba no tempo
mas não há poréns que bastem

Seguro nas montanhas o mar
dou adeus sem que haja a despedida
copo preso nas mãos é minha oração
amontoados meus ossos em mais um ano
há quem segure-os
que os banhem em saliva
os bons amigos acertam baixo
quando partirmos mais uma vez

Nós seremos amor

Se fossemos medo
Qual seríamos?

corpos ainda jovens se queimam ao sol
com meus ossos de chumbo eu imortalizo
e a pele branca a perfeição se chega
O segredo em um gole
qual seria?
quando a boca se cala
haverá saliva
quando não houver distância
um toque
da inercia
ao movimento
sussurre
grite
ame

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Tempos


Eu era o Senhor tristeza
de algum mundinho perplexo
Tinha ódio nos ossos
com alguns goles eu era o pior
me calei num instante...
Havia ela toda em mim

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Não nomeado

Cinza nos ossos
ao império caído nada
e quem antes falava
a boca se calou
gente que faz
que não usa ideologias mortas
da própria terra
não ficaremos só aqui
o levante implacável
o verdadeiro que nota-se
quem ainda questiona?
fantasiados com suas culturas mortas apenas

domingo, 25 de novembro de 2012

Vitorino R.

Eu via o fim nos teus olhos
quando me apertava e dizia
impressionante o paterno
que num cuspi me fez
o principal aqui é o além
e quem apodreceu antes?
te vi sorrindo do outro lado
e eu fui o primeiro a jogar o punhado de terra
comemorei a queda e me orgulhei da minha sina
orgulho das tristezas por tempo demais
eu simplifico
te esqueço
num pensar mais forte que o tempo
das juras de papai

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Rio de Janeiro 20

E no olhos que são arrancados
a poderosa inexistência dos deuses quando se tenta
e os nós presos na garganta
desatando-os pouco a pouco num gole
e das poças da calçada
seja o útero e o túmulo
quando se pensar por satisfeito
apodrecido mais uma vez

Uma manhã cinza estupra
é tão estúpido esperar que o sol venha
os ossos ainda recém-nascidos
na garganta dela são amor

No peito que desabriga um passo falso
ouvindo e não notando quem cai em volta
quando a mão branca segura
aperta o melhor e estalo nos olhos de um bebê

Cidade grande derrubada com zelo
semi abortados que amanhecem sem nenhum sorriso
somos ela e eu tomando café e cultivando um ao outro
por que na garganta e em todo somos amor

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Despedida

Estupidamente cortados
postos em camadas na terra
virgem com os olhos fechados
ao abrir tudo mentira

É papai do céu que é apenas dito
por que se chora em silêncio
a morte seduz e nós recusamos
esperando a excitação e deitar

Pingo sangue involutariamente
desde o ínicio e até fim
abram a cabeça e joguem
a merda comercializada das massas

E às vezes não se recusa cair
À vezes e preciso esquecer
e no fim tenha amor.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Decomposição

Os ponteiros alinhados
supri o desejo em goles solitários
meu silêncio motivado sem porém

ergui a cabeça por um momento

Eu estou gasto
ao ralo das ruas minha honra
quando olhei as estrelas
ontem a noite, quem mais?

Eco de heróis dissipados...

A liberdade dos pássaros não passa de ilusão quando a carne cede ao tempo

Perdi para a cidade
o brilho que eu tinha
e por ela agora, só essas luzes

amareladas com seus imperiais
que cavalgam as costas
da classe A de cus frouxos

Embebido em esquecimento
meu amargo é teu doce
que fere a boca que se cala
contra mim foi palavras
atos falhos me fizeram eu mesmo

Ossos metalicos batiam-se
vômitei bebês que escorreram
ao ralo a baixo e se tornaram deus
exaltei a minha fome antes
após isso foi apenas vaidade

Em minhas mãos trêmulas
o copo vazio que enchi do meu eu
que num tropeço no escuro
ainda restava o gole derradeiro

terça-feira, 18 de setembro de 2012

1988 - O Homem Mais Feliz do Mundo

Mas uma vez eu lembrava daqueles dias em que jogavam-me na casa da vovó e ficava perdido naquelas tardes amareladas de quase inexistência. Eu era um broto, de uma ignorância, de uma trepada sem amor nenhum e quando eu via meu velho lembrava disso. Aqueles olhos de reprovação me olhando de cima para baixo, pegando-me pela barriga, como eu odiava ser levantado assim... Eu ainda consigo ouvir claramente aquela voz: "Seu, porra! Um montinho de nada, hein!"

A noite eu tinha medo do dia seguinte, aquela rotina com gente velha e sendo humilhado pelo velho já estavam me matando. Com 5 anos eu queria morrer, sem saber ao certo o que significava morrer...

Mas de alguns poréns dessa vida dura, eu estava sendo abraçado pelos bracinhos brancos da minha mulher. Em cada beijo, em cada noite de amor, eu enfim estava
 sendo feliz de verdade! Eu tinha razão de viver e eu a faria sentir essa razão.

Os dias continuavam amarelados e perdidos, mas agora eu apenas era um expectador desse circo sem gargalhadas, cruel e covarde. Pouco importava, eu estava amando e sendo amado.

Um motinho em um buraco de terra, velho!

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Eu

Acha meu excesso futilidade
crucificado voluntariamente
diante de mim o Jesus moderno
que aqui não se agrada

bebês enfiados numa fenda
e pensam ser imperiais
tendo a derrota de não ser
apenas olham os outros

Chumbo nos ossos do papai
Abriu as pernas e mamãe disse; Eu te amo
naquelas manhã clichês
o estômago vazio sempre eterno

bebês enfiados numa fenda
não aprendem a chorar
amarelados sob as luzes da cidade
apenas olham os outros

Pesadelo

Dias quentes não exigem poréns
muitos indo mais do que vindo
e aqui mais uma vez
até quando?

bocas abertas por todos lados
corpos vazios que caem do copo
quebra-los e desfazer sonhos
que sonhos?

A igreja

Ajoelhe-se sob o estupro da razão
o passo dado rudemente
Essa serra porém não se encerra
do cinza faço minha crucificação
mas nada dito
amor é sangue que escorre dos iludidos
se espera do céu
falta a si mesmo
Alguns poréns a mais

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Montanhas Geladas

Acorde
decline esse mundo com um toque
um bocejo para ser uma desordem

mais daquela apatia adolescente
agora perdida em cubos mágiacos
clichê antes e agora o que é?

E se permitiu olhar o fundo
da boca aberta que afirmou
perante ao seu deus tão covarde

entre a calçada e o meio fio
cheirando a merda pisada
respeito próprio o que seria?

Cantou-se apatia em silêncio
orelhas cortadas exibidas em mãos
no cio sonoro de quem há

Seguro a mão miúda
o contraste da pele branca
com o sabor da saliva me afogo

suor para começar o que é eterno
no mais alto grau do que é amor
pela amanhã um descanço

Nunca nos acorde!

terça-feira, 17 de julho de 2012

Mal Paraíso

Maltrapilho pela manhã
sentado enquanto o velho falava
eu ouvia sobre grandes nomes
mas sentia fome do meu próprio
era fome de não ser percebido
de permaner contra o vento
por um segundo arrancar as coisas
um sonho que fosse caos
bocejava contido na religião alheia
vociferrava as recompensas
as banalidades do paraíso
tão bom e ainda aqui?
algo errado na fábulo do tal cristo
suspeitva enquanto o circo seguia
lembro de manhãs em casa
minha ordem desarrumada
meu quarto um útero
engraçado os pássaros no quintal
tinham a liberdade desejada
eu respeitava essa liberdade
selvagem
carregada de libido
e verdadeira

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Paraíso inconstante

Eu levanto
e enterro um sonho
mal começo
e logo termino
Há espaços
instantes que não percebo
Os dias que seguem
em cada vida que finda
Sendo eu no tempo que passa
tardando até quando?
Inócuo é o fim
posto nas indiferenças alheias
Um passo dado
não se olha para trás
Nas pontas de alguns cigarros
um mergulho na garrafa
Por certo
ainda não estou resumido

20/11/08

sábado, 7 de julho de 2012

Calçada

E em cada esquina que passei
o pouco que de mim nelas morreu
das esquinas que faltaram as mãos
que nunca estiveram erguidas
um tropeço na cu dos outros
um murro na cara da classe A
E eu cantei e esqueci o refrão
quando abri os olhos havia sol

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Pai


Fechado os olhos
lágrimas nos meus
e ali deitado
quem me gerou

Banho pela manhã
2 horas em diante só tortura
eu ria e brincava com poréns
debil garoto que se sujou

Seja forte que agora é hora
dos punhos que vinham contra
e eu sempre ia embora machucado
mas agora eu ria melhor

Mamãe sem nenhuma gota
e aprendi na mesma hora
tia velha chorava forte, tinha garra
mas eu continuava rindo

Seguindo o cortejo em silêncio
eu vi no chão os restos de outros
peguei e joguei o papel ao chão
eu tinha oficializado meu lugar

segunda-feira, 18 de junho de 2012

O manifesto


Junto a minha cultura
crucificado com ela ao centro
e apontaram os dedos contra
antes em cena
o tal jesus
agora em cena
gente com eu e você
sente o peso das botas que usa
e os próprios pés nos esmagam
a união desfeita em vão
ditadores modernos contra si
a perversão religiosa nos custa
o roubo do estado nos custa
a liberdade do princípio materno
e quando olha a vida
não a julgue morta
a verdade nunca faltou

sexta-feira, 15 de junho de 2012

A Flor

A flor no vaso era um punhal
que forçava contra meus olhos
sob a meia luz vinha a semana
eu não enlouquecia pela manhã

Derramava o café garganta abaixo
despertava o interesse e olhava
acontecimentos num circo
se havia sorriso eu não via nenhum

Eu não dava bom dia à ninguém
calava-me durante algum tempo
em silêncio gritava sem ser ouvido
era alguma música que cantava

Olha-me o cachorro fiel
ao meu lado quando escrevia
entre o tédio e o medo
era feliz apenas em momentos

O chão acolheu meus ossos
23 anos amontoados até aqui
pensei que não amaria
me enganei e foi a melhor coisa

E o próximo ato?
copo ou garrafa?
fumaça ou agulha?
Apenas amor

quarta-feira, 6 de junho de 2012

A Mulher da minha vida


"Via-se a estrada
do sossego só tormenta
enumerados e pequenos
das tristes noites mal contei
e os passos tropeçados
do lixo o reino e desgraça
estava eu firme diante do abismo
olhado pelo desespero alheio
por mais sincera chance
com frio sempre fiel da terra natal
quando tentei ausentar
mão branca me agarrou
olhos de bebê faminto me olhou
e numa noite eu fui feliz pra sempre"

Entre elas


"Erguendo a saia florida
eu a deixei passar a lingua
pentelhos raspados com zelo
eu desejava e morria na boca
iguais os sexos que se derramavam
cheiro de fêmea no cio
ofegantes tanto eu como ela
por mais que pedisse
a minha dela era e a dela minha"

segunda-feira, 4 de junho de 2012

A Branca


"Eu senti
o aço gelado
contra os ossos
e naquele dia
lembrei do amargo
desse caminho
abundantemente quente
vermelho como menarca
era meu sangue
que regava o tempo
que enfim morto
apenas adimirava
sentando em um banco
em qualquer lugar
beberincando tédios
uma vez mais
eu morreria
pela Branca
uma vez mais
seria salvo"

Preso porém

Em alguma hora perdida
quando se olha por olhar
os ponteiros tão pesados
Em alguma hora perdida
quando se cala pela falta do seguir
saliva que fica enquietada na boca
Em alguma hora perdida
você olha ao redor e supõe
de encontro ao concreto o corpo
Em alguma hora perdida
tão pouco nos bolsos é uma dádiva
afogo-me no barato verdadeiro
Em alguma hora perdida
sinto o presente ser mais ausente
o frio começa a incomodar
Em alguma hora perdida
a queda é sempre perfeita
por sorte acordar pela manhã
Em alguma hora perdida
encontro-me contra o concreto
perdido...

Ditadura da arte

"Minha caneta contra o papel
o papel passivo espera
os dois e mais tantos outros
esperando um pesamento cair

dependendo de uma perspectiva
elevar-se depois da última bilís
e do circo alheio eu dou risada
pondo um pé às vezes no palco

Ao invés de excessos variados
são apenas falsas orgias
nem uma gota de suor
tão pouco dormir na calçada

Eu levanto uma garrafa a favor
dou um trago contra
me visto mal
me alimento mal

Vejo o dia nascer do meio fio
apenas do meio para sentir-se vivo
informalmente percebe-se o agora
os olhos secos dizem amor porém"

domingo, 3 de junho de 2012

sábado, 2 de junho de 2012

Encenação a Rei

Morrestes, amigo?
Respiras ainda aliviado em teu lar?
Brindemos agora enquanto começamos a iludir nosso tempo
Estareis vós ainda com as orelhas no lugar?
Te retiras do teu berço pois não és mais criança
saia e veja o mundo morrendo em teus olhos
Advirto-te para não usares máscaras
vejo o cortejo que se segue sem sair do lugar, meu amigo
Embebido jaz em teu túmulo sem ninguém a derramar lágrimas
Vós esperastes o primeiro punhado de terra cair
não te faças de entendido ainda
Teu sangue corre quente com lava
Veja que aqui há outros que ainda dançam suas desventuras
Vós batestes em teu deus ontem à noite
Caminhaste lado a lado com satã
crenças não preenchem as vacuidades da vida, meu amigo
irei embora para encontrar novamente minha razão
Culmina tua lucidez quando o dia amanhecer
no meio de um dia estarei de volta, meu velho amigo
desatando os nós que ainda restam
Morrestes, amigo?
Respiras ainda em teu lar?
Brindemos agora, pois nosso tempo está entregue às traças
Estareis vós ainda com as orelhas no lugar?
Te retiras do teu berço pois não és mais criança