domingo, 30 de junho de 2013

D4

Parece uma flor ao vento
enquanto chama mansa
cheiro teu começo
e minha língua busca  
o polen de mulher feita
dedos abrindo o vão
seguro pelo cabelo
tudo de uma vez
terra molhada
bato com força
querendo raiz
entre um
entre outro
por infinito
não era dor ouvida
uma suplica em estreitos
múltipla chuva interior

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Oração óssea

O cru dia azul
que se cultiva
desgostos em silhuetas
em ritmo forte
cabe na boca a paz
a ilusão de bem estar
pondo a corda gasta
pendure-se numa segunda
Belly é ouvido de copo
pôr mais gente do que se vê
amém, ossos

quinta-feira, 6 de junho de 2013

O fim acompanha um cão

O copo se desprende
ao chão estilhaços de uma vida mal contada
late o cão faminto na porta
como se dissesse:
"Não se atrase"
olho o relógio e a madrugada impera
vultos inertes sobre o coração cinza
não abraçam o velho pó de si mesmos
saio e o cão me segue
falo para ele como podemos nos divertir
ele conhece os becos de nada adianta
os berços nas calçadas ensinou-o bem
a última garrafa de boca aberta vai
todos os pulgueiros fechados com vício dentro
perguntei sobre as vadias de família
o cão me olhou e eu soube a resposta
tudo fechado e até eu mesmo
"Por tempo demais" o cão disse
eu não estava me importando
era mais um daquele clichê escroto
estava cansado de todo
ficava imaginando meu amor feliz agora
o cão latiu

terça-feira, 4 de junho de 2013

Mergulho

Queima bela na garganta
te faço única quando há tato
Contorce com dois dedos
suspira um não/sim
são nossas garrafas ao chão
na meia luz
a carne quente cheira
na ausência de qualquer tempo
boca contra
aos recém aparados pentelhos
pula em mim como pula em um rio