quarta-feira, 18 de junho de 2014

Oferenda para meu pai

Tenho o ódio

Em um prato de barro

Nenhuma queixa sob minhas orelhas cortadas

Tenho o tempo

Em um corpo fechado

Nenhum sacrifício sob a virgem esquecida num copo

Agradeço pelos pés no mundo

A cabeça sempre erguida

Mérito desse bastardo aqui

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Serrano

O sabor gélido
de uma esquina
amarelada
O chão duro
atravessando o corpo
sem etiquetas
usado
Chafariz da boca aberta
honrado o fígado de Deus
O céu sem oração
Os bolsos sem costura interna
Zero horas
Zé ninguém