sábado, 23 de agosto de 2014

Abortos diários

Um bebê abandonado na lixeira implorando braços

Quer as tetinhas de um mundo que só existe no papel

quando o sol se aproxima e queima a pela ele pensa  que é papai erguendo-o

quando aprende a desejar
mamãe torna-se chuva de verão

Um bebê que pula do galho fugindo da ditadura de deus nas alturas

Que anseia o colo farto de uma sinceridade que só vem antes de uma queda

Tirado e retorcido em algum noticiário onde a primeira lição já foi aprendida

Posto na incubadora de hipocrisia coletiva ele aprendeu a sonhar como deus

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